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Árvores da Caatinga

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sábado, 11 de março de 2017

Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga


O despertar da Caatinga

Seca...completamente desfolhada
E aparentemente sem vida
Sou a caatinga nordestina
Um bioma frágil, mas rico em fauna e flora
Possuo uma biodiversidade espetacular
Fico assim, durante vários meses
E as vezes até anos
Quem me desconhece
Pensa que estou morta
E me acha assustadora
Mas isso, é apenas uma defesa
Aprendi a me desfazer
Das minhas folhas
E fingir que estou morta
Mas na realidade
Apenas durmo...
E permaneço adormecida
Até que volte a primeira chuva
Assim, economizo água e energia
Faço isso para poder sobreviver
Aos longos períodos de estiagem
Tempo em que o céu não permite
Que as suas nuvens venham me banhar
E embora esse processo seja bem sofrido
Já estou com ele acostumada
E enquanto durmo... Sonho!
Sonho com o momento mágico
Do meu despertar...
Pois quando  cai a primeira chuva
Começo a acordar...


E como num milagre de ressurreição
A vida ressurge em mim
De forma esplendorosa!
Todos os dias, há uma explosão
De nascimentos e despertares
Tudo é grandioso e mágico
Em pouco tempo
O que se mostrava seco e deserto
Transforma-se num paraíso
Com vidas e cores
Muitas vidas! E muitas cores!
Um lugar de encanto e beleza impar
Onde correm riachos e cachoeiras
A flora fica um primor verdejante e florido
A fauna exibe mamíferos
Pássaros e insetos
E tudo se equilibra de forma majestosa
Há ressurreição e nascimentos
A alma da caatinga adormecida desperta!
E vem com ela
A alegria!
A esperança!
E a fartura...
Um cenário que de forma singela e doce
Desperta também a inspiração e a magia
Que faz pulsar fortemente
O coração da poesia
Dos  poetas e poetisas deste  nordeste

Fátima Alves - Poetisa da Caatinga

Natal, 01.09.08
Texto publicado no meu livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Vivências do meu passado - Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga



















Vivências do meu passado

Vivências do meu passado
Lá dos tempos da infância
Bem frequente em mim despertam
E me levam para a Serra
Nossa Serra Terra Mãe
Onde ainda tenho o berço
Que espera a minha alma
Para um dia descansar

No silêncio do meu ser
Volto sempre a minha Serra
Muitas vezes é verão
Mesmo assim eu quero ir
Abraçar meu juazeiro
Que insiste em me chamar
Pra sentar á sua sombra
E com ele conversar

A Caatinga seca está
Porém, nada ali morreu
Compreendo o meu lugar
Sei que ela adormeceu
E sentirá meu amor
Quando seu solo eu beijar
Momento em que lhe acordo
Pra ela ouvir meu cantar
Hoje canto minha terra
Num sentir que vem da alma
Na caatinga eu nasci
Numa Serra muito bela
Onde em tempo de inverno
Era o nosso paraíso
E no verão tão castigado
A vida tinha mais valor

Volto alegre a minha Serra
Onde eu não pude ficar
E na busca pra viver
Muitas terras desbravei
Até chegar nesse mar
Onde decidi ficar
Buscando vida melhor
Mas pra Serra hei de voltar


Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Natal, 08.11.09

Texto publicado no meu 2º livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"



sábado, 28 de janeiro de 2017

Manda chuva Deus!- Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga


















Manda chuva Deus!
Pra Caatinga acordar
E seu povo se alegrar
A seca aqui tá malvada...
Já queimou toda a mata
E os animais se foram...
O sol aqui é escaldante
É difícil suportar!
Mas somos um povo forte
O nosso Deus nos socorre!
E o poder público
Faz de conta que não vê
A miséria se espalhando
E o povo a sofrer...
Orar é a única esperança
Para Deus nos escutar...
Manda chuva Deus!
Manda logo!
Traz socorro pro seu povo
Que pra ti continua orando...
***
Fátima Alves – Poetisa da Caatinga

Natal,28.01.2017

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga - São Miguel / RN

















Os danos da seca no RN...

Há cinco longos anos
Não chove o suficiente
Para acabar com os danos da seca
O RN sofre Com a falta d’água
Em quase todos os nossos municípios
Os reservatórios d’água secaram
Carros pipas abastecem  muitas cidades e sítios
Os rebanhos foram muito reduzidos
Muitos agricultores perderam todo o seu rebanho
Não há água nem alimento para os animais
A situação é muito triste...
A fauna migrou para  lugares distantes
A flora secou completamente
O que se vê é  a mata com cara de morta
O céu se mostra azul turquesa
Com nuvens bem brancas
Ou sem nuvem alguma!
O vento sibila levantando redemoinhos
A poeira toma conta das estradas
E o povo pede e espera em Deus
Para que venha inverno trazendo fartura
Ao  nosso sertão que agoniza na seca
Pois sendo a seca um fenômeno natural
E não havendo medidas preventivas para ela
O socorro só poderá vim de Deus...
***
Fátima Alves- Poetisa da Caatinga
Natal,09.01.2017


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga - São Miguel / RN



Fonte do bem

De ti quero ser uma gota que cai
E junto a muitas... Dar a luz a um rio
Que nasce no alto e desce pro mar
Correndo feliz pra logo chegar
E longe... Bem longe... Poder desaguar

Se eu não puder se essa gotinha
Não fico zangada porque te entendo
Mas vou te pedir me deixa ser flor
Porque suas margens desejo enfeitar
E minhas sementes eu vou semear

Mas se eu não puder também ser a flor
Não vou ficar triste por não te enfeitar
Me deixa ser rocha lá das cachoeiras
Que posso sentir-te em mim a passar
E a tua beleza vai me encantar

Se acaso, você também não deixar
Eu ser essa rocha pra te admirar
Me deixa ser árvore nos vales que passas
Que vou ser frondosa pra ti encantar
E em suas águas que a todos alegram
As mais belas flores  irei te jogar

E ainda assim, se tu não deixar-me
Eu ser o quero e tanto te peço
Irei te pedir que pode ordenar-me
E seja o que for... Eu vou aceitar
Porque em tua fonte eu sempre bebi
E sinto-me pronta pro amor semear
               ***
Fátima Alves – Poetisa da Caatinga
Natal, 25.10.2008

Texto publicado na Antologia feminina do II Seminário  Internacional das Américas em terras potiguares.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

De bonecas,cheiros e saudades - Voz poética de Pedra do Sertão

De bonecas, cheiros e saudades




Elas iam em uma caixa de madeira cheiinha de coco, manga, colares de catolé (ainda sinto o cheiro), camisolas de algodão, doce de buriti, rapadura, cajuzinho tudo bem embrulhado por vovô e vovó. Saíam de Juazeiro do Norte (CE) direto para a Vila Ré (SP). Iam por uma transportadora e geralmente chegavam perto do Natal..para nosso fim de ano ficar gostoso...quando não iam com os próprios familiares, tia Rose e tia Elzenir, tio Assis e tia Célia foram portadores dessas encomendas para Almeri Sobreira...As bonecas e seus vestidos coloridos.As bonecas e seu cheiro de algodão cru...As bonecas que ficavam sentadas assistindo as aulas. Alunas de nossa escola imaginária.Uma porta verde era a lousa.Todas obedientes e comportadas!




* foto Restaurante Mangai/João Pessoa - Arquivo pessoal