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domingo, 21 de agosto de 2016

Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
















Visões da Lua cheia

Hoje vi a Lua cheia
Coisa linda de se ver
Puro encanto prateado
Que seduz os namorados

Hoje vi a Lua cheia
Entre os prédios da cidade
Uma beleza notável
Que mudou este cenário

Hoje vi a Lua cheia
Nascer acima do morro
Trazendo raios de prata
Enfeitados de paixão

Hoje vi a Lua cheia
Da janela do meu quarto
E não pude me conter
Me senti apaixonada

Hoje vi a Lua cheia
Trazer luz pra meu jardim
Claridade sedutora
A flor de cacto despertou

Hoje vi a Lua cheia
Com seu rosto bem feliz
Em véu de prata vestida
Querendo mostrar-se ao seu rei

Hoje vi a Lua cheia
Como sempre solitária
Pois o Sol já tinha ido...
                 ***
Fátima Alves – Poetisa da Caatinga
Natal, 07.07.09

 Texto do meu livro "Palavras  Singelas e Encantamentos"...




sexta-feira, 24 de junho de 2016

Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga

Um canto aos encantos do RN

Nossas terras tão sofridas
Por descuido e pré-conceito
Tem belezas sem igual
Tanto mar... e tantas serras
Temos vales grandiosos
Muitas dunas e salinas
E a singular caatinga
Que pra esperar  a chuva
Perde o verde e fica cinza
Se encanta por um tempo
Mas depois é paraíso...

Nossa terra tão sofrida
Não me canso de cantar
Cada canto onde vou
Vem pedir meu versejar
E se exibe para mim
Pra que eu possa mostrar
Por letras de sentimentos
Como é lindo esse lugar

Nossa terra tão sofrida
Por visões equivocadas
Mostra um povo miserável
Mendigando seu viver
São imagens assustadoras
Para o mundo socorrer
Com remédios analgésicos
Que camufla e não resolve
Humilhando nosso povo
Pra assim sempre sofrer

Eu não gosto de nos ver
Ser retrato de miséria
Gente que vive morrendo
Por não ter cidadania
 Num lugar tão magnífico
“Ser mendigo que trabalha”
Se o trabalho enobrece?
Precisamos desfrutá-lo
Temos frutos pra colher
E não posso aceitar
Que essa seja nossa imagem

Quero ver nossa cultura
Respeitada e difundida
Cada ponto do RN
Tem um jeito de viver
Da caatinga ao litoral
Todo mundo sabe ser
Simplesmente o que se é
Mas precisa condições
Pra chegar aos ideais
Do futuro planejado
Bem melhor que no presente

Nossa terra tão sofrida
Tem riquezas no seu chão
Seus vales, chapadas e serras
Produtivos sempre são
E até a água escassa
Só não chega onde falta
Por não termos instrumentos
Pra chegar no lençol dágua
Que estar no subsolo
E ninguém pode usá-lo

Nosso povo é tão bonito
No seu jeito natural
Quando vive em seu lugar
É o amor que reina lá
Todo mundo é tão unido
E consegue se ajudar
Mesmo nas dificuldades
Se aprende a partilhar
E a dor de qualquer um
Não dói mais pois é de todos

Meu lugar eu sei amar
Do jeitinho que ele é
Se é praia ou é caatinga
Tudo aqui tem seu valor
Não comparo essas grandezas
E respeito as diferenças
Porque cada uma tem
O que Deus determinou
E se a gente entende isso
Só amor vai plantar lá

Eu nasci nessa caatinga
Que parece estorricada
Pra viver eu aprendi
Conviver  com as suas leis
Se tem água vou plantar
Cultivar e armazenar
Pra no tempo que faltar
Já saber onde ir buscar
Sem precisar mendigar
A quem só quer explorar

Uma coisa eu bem sei
Minha alma é desta terra
E não quero ser queimada
Pelo o olhar de quem não sente
Preconceito espanto logo
Somos fortes e valentes
Criativos e persistentes
Canto  o canto do meu povo
E hei de viver cantando
As grandezas potiguares
Vou cantar até  o meu fim...
                 ***

Texto do meu livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"
Fátima Alves - Poetisa da Caatinga

Natal,11.11.09

“Á terra onde Deus me fez nascer

domingo, 19 de junho de 2016

Voz poética de Fátima Alves - Poetisa da Caatinga



Sereno e Sol

Respiro de Deus
Com cheiro de flor
Singelo molhar
Pra vida acordar
Sereno em véu
Envolve
a montanha
E o sol da manhã
Também quer brilhar
Com raios morninhos
Esbanja sua luz
E pede ao sereno
Pra vida esquentar
O sereno despede-se
E vai descansar
Deixando o espaço
Pra o sol governar
Sereno e sol
Essências de Deus
            ***
Fátima Alves -  Poetisa da Caatinga
Natal, 02.03.09
Ao Deus universal!
Texto do meu livro "Palavras Singelas e Encantamentos...

sábado, 18 de junho de 2016

Vamos preservar as florestas para garantia da água...

Os pesquisadores científicos da Seção de Engenharia Florestal, do IF, Valdir de Cicco, Francisco Arcova e Maurício Ranzini, embasaram suas teses de doutorado em pesquisas sobre a relação entre a floresta e a água, elucidando dúvidas e provando com nú
AMBIENTE.SP.GOV.BR

segunda-feira, 14 de março de 2016

Voz poética de Emanoel Carvalho - Poeta Micaelense



MEU EU

Sou roceiro, caipira e nordestino
Esse jeitão de mim ninguém não tira
Mesmo seco o nordeste me inspira
Vejo o galo cantando no poleiro
A galinha ciscando num balseiro
Um jumento rinchando no curral
Um cachorro amarrado num jirau
Um cavalo arreado me espera
Pico a espora e me aprumo na sela
Pro forró pé de serra na tapera
***
EMANOEL CARVALHO
20/10/2015


BRINCADEIRA DE CRIANÇA

No meu tempo de menino eu brinquei de carrapeta
Botei água de ancoreta joguei biloca e pião
Joguei bola fiz carreta de madeira e de latão
Fiz muitos cavalos de pau com arreios de cordão
Tomei banho em cacimbão que a pele ficava preta
Mãe corria atrás de mim com um cipó fino na mão
Eu corria ia pra feira ver bebo falar besteira e cuspir no pé do balcão.

EMANOEL CARVALHO
12/07/2015


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Nas andanças da vida - Voz poética de Poetisa da Caatinga


Nas andanças da vida...

Nos caminhos da vida...
Andei por tantas terras
Mundos diferentes conheci
E me banhando
Em culturas tão diversas
Aprendi a conviver e respeitar
Cada jeito do sujeito se mostrar
Sem nunca achar-me inferior
Nem tão pouco
Desprezar o que é do outro
Convivi na floresta maranhense
Ainda criança quebrei coco babaçu
E com suas cascas aprendi fazer carvão
Nos igarapés muitos banhos eu tomei
E dos jacarés sempre soube me livrar
Peguei água de raízes pra vender
E na colheita do arroz muito brinquei
Na farinhada fiz farinha e tapioca
E neste mundo minha infância
Floresceu...
Na Paraíba conheci o que é miséria
Onde morávamos a pobreza era rainha
E todo dia com a gente ela brincava
Nosso casebre era tão pequenininho
Que mal cabia tantas redes pra armar
Mas foi ali que a magia veio a mim
E neste aperto aprendi então a ler
Vendo meu pai frequentar o seu MOBRAL
Deste lugar não foi fácil de sair
Porque faltava o dinheiro pra voltar
Até que um dia Deus nos resgatou dali
E nos levou pra o seio da nossa terra
Pro RN, bem humildes regressamos
Onde felizes abraçamos nossa serra
Mas mesmo ali no lugar onde nascemos
A nossa vida era dura de viver...
Lá na caatinga até água nos faltava
Mas mesmo assim
Até flores nós plantávamos
E muitas vezes a fartura também vinha
O nosso mundo de tão seco era cinza
Mas com as cores do desejo era pintado
Só dessa forma nós podíamos suportar
E na estrada da esperança caminhar
Ao caminhar nessa estrada esperançosa
A gente ia conquistando o horizonte
E cada um no seu tempo chegou lá
Agradecendo a um Deus que tudo pode
E nos cobriu com o véu do seu amor

***
Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Natal,22.05.09
Texto da minha obra "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A seca no nordeste - Voz poética de poetisa da Caatinga



























            A seca no nordeste já existe desde antes da chegada dos portugueses aqui no Brasil. Ela é um fenômeno natural  cíclico, que acontece com frequência  e não temos como fugir dela. Há décadas atraz, era incerto se saber se ia ou não ter inverno. E a seca chegava de surpresa arrasando tudo com seu sol abrasador. Nesse tempo a gente contava apenas com as profecias dos profetas populares, que as vezes acertavam. Mas ninguém se prevenia frente essas profecias, havia esperança no dia de São José, que muitas vezes chovia, iniciando assim o inverno. Todos se baseavam no conhecimento popular.  E não Havia prevenção para a chegada da seca, nem tampouco políticas públicas para esse fim. Quando ela chegava trazia o terror e instalava-se um caos na nossa caatinga. Muita gente morria de fome ou de doenças relacionadas ao fenômeno. Os rebanhos eram dizimados pela fome e pela sede. O povo da Caatinga sofria demais.
       Nos tempos atuais, a Ciência evoluiu, e os meios  e instrumentos para pesquisar a seca são eficazes. Há satélites monitorando as águas do oceano e a imensidão nordestina. Sendo assim, ela é avisada com antecedência. Há tempo para se gerar políticas públicas eficazes de convivência com a seca. Porém, não acontece isso. Muito se investe em programas para a seca e pouco se aplica. Há desvios de recursos para outros fins... E os agricultores ficam na penúria, recebendo migalhas que pouco ameniza a situação. A seca enriquece muitos políticos, enquanto dizima nossos rebanhos, fauna e flora, empobrecendo ainda mais o nosso povo. As consequências da seca  refletem uma administração pública incompetente, na esfera federal, estadual e municipal. Sofremos porque ainda nos falta coragem para exigir o cumprimento dos nossos direitos. A seca vai sempre existir, mas o povo precisa aprender e ter suportes para conviver com ela.
***

Fátima Alves – Poetisa da Caatinga